Vocês são uma organização partidária ou religiosa?

Não. Somos uma comunidade suprapartidária, suprarreligiosa, democrática e aberta a diferentes pontos de vista. 

Ouvi dizer que médicos não dão hormônios para as crianças, só bloqueadores de puberdade…

Bloqueadores de puberdade são hormônios. Hormônios artificiais desenvolvidos inicialmente para tratar o câncer de próstata e que suspendem a ação dos hormônios produzidos pelo organismo humano. Você pode confirmar isso na própria bula deles, como na do Lupron Depot (acetato de leuprorrelina), do Neo Decapeptyl (triptorrelina), do Zoladex (goserelina) e do Supprelin (acetato de histrelina).

Registre-se que, embora o Ministério da Saúde tenha fixado a idade mínima de 18 anos para  pacientes serem hormonizados, o Parecer nº 8/2013, do Conselho Federal de Medicina opinou para que essa intervenção seja, “de preferência, iniciada quando dos primeiros sinais de puberdade”. Com base nesse simples parecer (que não é uma norma e nem uma reflexão de toda a classe médica), menores de idade já são hormonizados no Brasil, sem fixação de idade mínima. 

Vi um profissional garantindo que os bloqueadores de puberdade seriam “seguros, sem efeitos colaterais e totalmente reversíveis”…

Não é verdade. Estes medicamentos foram testados e aprovados unicamente para indivíduos com problemas físicos graves (como alguns tipos de câncer e endometriose) e para crianças com puberdade precoce. Não para garotos e garotas fisicamente saudáveis, com questões psíquicas que costumam responder bem à terapia e ao passar do tempo. As bulas prevêem efeitos colaterais e reações adversas sérias nos adultos e crianças, inclusive carcinomas (câncer), diabetes, depressão e até tentativas de suicídio! Veja nossa seção de Efeitos Colaterais

Finalmente, em relação à suposta reversibilidade, a dra. Polly Carmichael, diretora do maior ambulatório de “identidade de gênero” da Inglaterra, o Tavistock, já em 2015 admitiu publicamente: “O bloqueador é apontado como completamente reversível, o que é desonesto porque nada é completamente reversível”. Leia mais sobre esses hormônios no requerimento que fizemos aos deputados estaduais de São Paulo alertando sobre os riscos do Projeto de Lei “Transcidadania” (veja o requerimento aqui)

E aqueles outros hormônios artificiais, que simulam as características do outro sexo? Quais os efeitos colaterais de dar hormônios femininos (estrogênio) a um rapaz ou masculinos (testosterona) a uma jovem?

Estas substâncias, chamadas de “hormônios cruzados”, são dadas a adultos há cerca de 100 anos e seus muitos efeitos colaterais já são conhecidos e comprovados. Estudos indicam que a testosterona aplicada em nascidas mulheres pode causar hipertensão, aumento do colesterol, obesidade, acne, aumento do risco de AVC, problemas psiquiátricos, osteoporose e câncer, enquanto o estrogênio ministrado em nascidos homens pode trazer problemas como trombose, hipertensão, danos ao fígado e aos ossos – de novo, as próprias pesquisas admitem. E, acordo com o próprio Guia para “Disforia de Gênero” da Sociedade Brasileira de Pediatria, nascidos homens correrão “risco elevado de trombose venosa profunda, hiperprolactinemia, disfunção hepática grave, hipertensão arterial, diminuição da libido e tumores estrógeno-sensíveis” e as nascidas mulheres podem sofrer com “dislipdemia, policitemia, aumento de enzimas hepáticas, acne e alopecia androgenética”. Também no que diz respeito a este tipo de hormônio o já citado Parecer nº 8/2013 do CFM contrariou a idade mínima de 18 anos fixada pelo Ministério da Saúde, pois sugeriu que “aos 16 anos, caso persista o TIG [transtorno de identidade de gênero], a hormonioterapia do gênero desejado deve ser iniciada gradativamente”.

Não é melhor que os especialistas decidam, em conjunto com responsáveis e  pacientes?

Em nossa experiência e pesquisa, verificamos que responsáveis e pacientes costumam ser leigos no assunto e confiam num pequeno grupo especialistas e ativistas, os quais nem sempre fornecem todas as informações que deveriam. Exemplificando, é comum que profissionais garantam que os hormônios bloqueadores da puberdade seriam um “tratamento” testado e comprovado para a “incongruência de gênero”, quando basta ler a bula para ver que sequer houve indicação dos laboratórios para essa finalidade. Além do que, ainda que os pais concordem com a hormonização, os países têm leis protegendo menores de idade em face de sua extrema vulnerabilidade; é por isso que há idade mínima para tantos atos da vida civil e criminal como o casamento, o voto, tatuagens, carteira de habilitação, uso de álcool e tabaco, responsabilidade penal, esterilização voluntária e muitos outros. Não é à toa, é bom repetir, que o Ministério da Saúde determinou que os hormônios artificiais sejam fornecidos unicamente para maiores de 18 anos! Finalmente, vale lembrar que ainda que a equipe multidisciplinar de um ambulatório de “identidade de gênero” disponha de psicólogos (as), eles podem ser punidos se questionarem uma “mudança de gênero”. Isso porque questionar pode ser rotulado pelo Conselho Federal de Psicologia, nos termos da Resolução nº 1/2018, como uso de “técnicas psicológicas para criar, manter ou reforçar preconceitos, estigmas, estereótipos ou discriminações em relação às pessoas transexuais e travestis”. 

E um indivíduo adulto? Não seria melhor deixá-lo fazer o que quiser com seu corpo?

Nosso foco é em crianças e adolescentes, mas também nos preocupamos com os adultos, sobretudo jovens. O cérebro humano só termina sua maturação entre os 20 e 25 anos e precisamos refletir sobre a medicalização da vida e questionando diagnósticos, supostos tratamentos e seus resultados. Muitos dos que “destransicionaram” (ou seja, que se reconciliaram com seu sexo biológico) denunciam que os profissionais de saúde omitiram informações importantes e que as intervenções hormonais e cirúrgicas não aliviaram o sofrimento – muitas vezes, pioraram!

Li por aí que as crianças e jovens se matam quando não são “transicionados” o mais rápido possível… 

Isso é rotineiramente repetido por médicos e ativistas, mas não há nenhum estudo científico que indique isso. Pelo contrário: historicamente, a grande maioria das crianças e adolescentes superava a chamada “disforia de gênero” antes da vida adulta. Um desses estudos, ”Transtornos de identidade de gênero na infância e na adolescência” , revela: “Mesmo entre crianças que manifestam um alto grau de desconforto com o próprio sexo, incluindo aversão à própria genitália (TIG – transtorno de identidade de gênero em sentido estrito), apenas uma minoria se encaminha para um irreversível desenvolvimento do transexualismo”. Esses estudos, em geral, são anteriores à febre do lucrativo “modelo afirmativo de gênero”, no qual os responsáveis são incentivados a “afirmar o gênero desejado” pelos meninos e meninas o mais rápido possível, inclusive com mudança de nome e hormônios.

Alguns ativistas mencionam uma estatística de “41%”, provavelmente advinda de uma única pesquisa feita nos Estados Unidos e com adultos (e não crianças e adolescentes) que se autoidentificavam como “transgêneros” ou “em desconformidade de gênero” (ou seja, a pesquisa também englobou homens e mulheres que eram simplesmente fora do padrão). Recomendamos fortemente a análise da pesquisa feita pelo site 4th Wave Now cujo título é A taxa de 41% dos suicídios trans: uma história de dados falhos e jornalistas preguiçosos. Alguns dos entrevistados informaram ter transtornos mentais, portanto não é possível concluir que a tentativa de suicídio aconteceu em razão da condição de “transgênero”. Além do mais, não foi indagado dos participantes “transgêneros” se as tentativas de suicídio ocorreram antes ou depois da “mudança de gênero”. Assim, é perfeitamente possível que em parte dos casos – ou até mesmo em todos eles – as tentativas tenham acontecido após – e então deveríamos questionar se ela estaria mesmo funcionando como “tratamento”. Por outro lado, um famoso estudo sueco indica que após o chamado “processo transexualizador” o risco de suicídio é alto: nas palavras dos acadêmicos, “Pessoas com transexualismo, após redesignação sexual, têm riscos consideravelmente mais altos de mortalidade, comportamento suicida e morbidade psiquiátrica que a população em geral” (grifos nossos). 

Finalmente, registramos que os hormônios bloqueadores têm, comprovadamente, efeitos colaterais na psiquê humana. A bula do Lupron, por exemplo, registra na página 9 o risco de “alteração do humor, nervosismo, aumento do libido, insônia, alterações do sono, depressão, ansiedade, alucinação, ideia suicida, tentativa de suicídio” (grifos nossos). Da mesma forma, os hormônios “cruzados”, dados aos adolescentes para simular as características do outro sexo, também têm efeitos psíquicos e psiquiátricos: este estudo afirma que ministrar estrogênio a machos humanos, entre outras reações adversas, pode causar “aumento do peso, alteração do perfil lipídico e depressão; e a um aumento do risco cardiovascular, e cancro da mama” (grifos nossos). Ou seja, estas substâncias, em crianças e adolescentes que já estão em sofrimento psíquico, podem até mesmo piorar o quadro!

Vocês têm grupos de apoio presenciais ou oferecem algum tipo de atendimento psicológico? 

No momento, não, infelizmente… Se você é mãe, pai ou familiar de alguém que está questionando seu sexo biológico e ou em sofrimento com seu corpo, eu desejo do fundo do coração que nossos materiais te ajudem a se organizar com outras famílias sob o viés desmedicalizador e a escolher um (a) psicóloga (a) ou psicanalista que cumpra os altos princípios morais e éticos com os quais se comprometeu. Que tal perguntar a ele (a) o que acha desta entrevista com a terapeuta Sasha Ayad ? 😉

Além das intervenções nos corpos das crianças, há outras coisas que me incomodam no ativismo “transgênero”, como a retirada dos direitos de meninas e mulheres… Vocês têm algum material sobre isso?

A nossa campanha é mais dirigida à saúde infanto-juvenil de ambos os sexos, mas também nos preocupamos com o impacto das políticas de “identidade de gênero” sobre os direitos de meninas e mulheres. Nossa sugestão é você pesquisar o que já foi escrito sobre isso na seção referências e cadastrar seu e-mail para receber os futuros textos do blog. Falaremos disso, pode ter certeza.

Por que vocês não utilizam a mesma linguagem dos médicos e ativistas? Por exemplo, vocês usam aspas em palavras e expressões como “processo transexualizador” e “redesignação sexual”… 

Termos sem base científica e ou definição objetiva impedem que as pessoas  compreendam o que está realmente acontecendo e possam tomar decisões racionais e bem informadas. O uso das aspas marca nosso questionamento a essa tática, e eu  também recomendo a você a leitura de “1984”, de George Orwell, sobretudo no que diz respeito à “novilíngua”… Exemplos desse uso enganoso das palavras são expressões como “processo transexualizador”, “redesignação sexual” e “readequação sexual”. Afinal, como o sexo biológico é imutável, é impossível “transexualizar”, “redesignar” ou “readequar” sexualmente alguém.

Eu adorei o site, concordo totalmente com vocês e quero agir! Como posso ajudar mais?

Ótimo! Temos uma seção especificamente chamada… Como agir 🙂 

Minha pergunta não está respondida aqui… 

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Um abração da nossa equipe e volte sempre!